segunda-feira, 3 de junho de 2013
parto da flor-texto para o livro da melissa.
Era 2008,inverno e início de Abril,e eu carregava em meu ventre uma flor de 9 meses,encaixadinha sem eu saber,havia abandonado os médicos convencionais,e escolhido uma parteira,minha mãe,e meu marido como acompanhantes dos momentos finais da gestação.Um dia antes dessa flor chegar,andei e trabalhei muito em uma festa de boas vindas para ela,e nesse movimento o tampão se soltou,fiquei em casa bem relaxada sem saber o que me esperava nas próximas 24hs,era dia 7 de abril,e eu ligava constantemente para minha parteiora e minha mãe, e meu marido ficava a acompanhar os acontecimentos tranquilamente.De madrugada começou todo o evento,um grande espetáculo eu diria,entre flashs de sono e gritos,dores que me levavam a não acreditar no que estava acontecendo comigo,um misto de medo e desespero,e e uma vontade imensa de desistir de toda aquela historinha de parto em casa,natural com dor,eu só pedia uma cesariana por favor.Gritava também para que minha bolsa estourasse e assim eu passaria a acreditar que tudo seria mais rápido menos doloroso,até que quase para desistir percebi que minha dor era eu mesma quem a poderia amenizar,aceitando tudo,aceitando meu medo,e me entregando a nova mulher que eu me tornaria,aceitar que a dor faz parte de todos os momentos bons que estão porvir ,e que eu deveria sim aceitar a dor,e esquecer o medo de deixar de ser aquela menina que eu era,e aceitar minha filha como a um espírito merecedor de ser recebida com coragem e paz.Nos momentos mais agurdados eu sozinha a esperar a busca da minha parteira pelo meu marido que já durava mais de horas,eu ouvia uma pancada forte na cozinha,era minha mãe a amassar o pão de batata que ela resolveu fazer para acalmar a si,aquilo de alguma forma me passou a imagem de que ela estava calma sabendo tão bem o que fazer ,que até resolveu assar um pão.As 6h15 a parteira chegou e para meu desespero ela estava calma e mais uma vez passou para minhas mãos a maior responsabilidade parir com calma ,sem força apenas firmeza no que eu havia aprendido com ela,me concentrei e acho que pensei,ou tive a intuição de fazer uma ave maria e colocar em mim todas as forças necessárias para o que eu queria tanto acontecesse ,e as 6h20,senti algo em meu peito,ouvi seu choro,abri os olhos e vi uma linda e enorme boca rosada,uma boca de cereja,e disse:é linda,ela é linda!E assim recebi meus louros de paz,beleza,e cantos de passarinhos na porta que para mim,pareciam vir receber minha menina junto a mim,e o sol da manhã aqueceu-nos,e o cheiro de pão logo depois se espalhou,e todos que mais amo ali,cuidando de tudo e de mim,meu café foi leite quentinho com o pão de batata da mamãe,nunca comi um mais saboroso.Tudo isso com a presença da Flor Mariana,essa filha linda que chegou para me fazer crescer e parir,crescer todo dia,parir sempre que necessito de coragem na vida.Ela é meu maior feito na vida,minha maior realização.
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Em todo o universo, por infinitas galáxias, nenhuma estrela brilha mais que os olhos de uma mãe nesse momento tão fabuloso e mágico.
ResponderExcluirParabéns, Regina!